Sexta Feira, 28 de Fevereiro de 2020
Opção pelo prende e solta desmotiva polícia e faz aumentar a criminalidade

Situação descrita como insustentável em municípios da região Oeste.

 Administrador
 16/01/2020|23:37:07
 Segurança

As circunstâncias que levam a Justiça a determinar a soltura de detentos poucas horas ou poucos dias depois da prisão cria uma situação descrita como insustentável em municípios da região Oeste.

Em Ibema não é diferente, onde o prefeito Adelar Arrosi se diz extremamente preocupado com as situações que vêm ocorrendo e com o sério aumento da criminalidade. “O cenário é dos mais difíceis. Como gestor público, tenho feito tudo o que está ao meu alcance porém muito do que diz respeito à segurança pública está acima da minha autoridade”, afirma ele.

Com mudanças em leis e com a adoção de novos critérios políticos pelos governos das esferas superiores e até jurídicos, prender e manter criminosos presos se torna uma tarefa a cada dia mais difícil.

“E quem sente as conseqüências disso são as pessoas de bem, os trabalhadores que observam as leis e as regras de boa conduta e convivência”, diz Adelar Arrosi. A opção da Justiça pelo prende e solta, segundo o gestor público, cria situações embaraçosas.

“Os policiais, que procuram desempenhar o seu ofício da melhor maneira possível, sentem-se desmotivados e "desmoralizados". Prendem várias vezes os mesmos criminosos, que ao ser levados à frente do juiz muitas vezes são liberados no mesmo instante”.

Em vez de criar regras e determinações que tornem melhor a segurança para as pessoas de bem, a "preferência tem sido favorecer quem está à margem da lei". “Cria-se, com isso, um panorama de enorme instabilidade, que pode levar a um temível caos social”, lamenta o prefeito, que afirma ter criado todas as condições possíveis, diante do que a lei permite e do que é financeiramente permitido, para que a polícia cumpra o seu papel com eficiência no município.

“Pode parecer exagero, mas às vezes, quando conduzidos ao Fórum de Catanduvas, alguns detentos são soltos e regressam à cidade no mesmo dia". E isso, além de situações embaraçosas, tem motivado a bandidagem a aumentar e a tornar mais graves os seus crimes.

Ontem mais uma família de Ibema teve a casa invadida. Os ladrões encapuzados de mãos armadas roubaram e praticaram violência, ameaças e atentado por armas, inclusive contra crianças. “E, na maioria das vezes, quem cometeu o crime são os mesmos que já foram presos e que, por vezes seguidas, foram soltos por determinação da Justiça”.

Adelar Arrosi afirma que a situação piorou muito de um ano para cá. “Sem a guarida do Estado e da Justiça, os policiais se sentem desmotivados e não realizam abordagens, checagem e rondas, que contribuíam diretamente para tirar armas e foras da lei de circulação, por exemplo.
Essa era uma medida preventiva eficaz, que existiu até o final de 2018, que continha os criminosos”.

O incentivo ao armamento a populares, segundo o prefeito, é outra situação temerosa que beneficia diretamente a bandidagem. “Estão querendo transferir a responsabilidade da segurança pública para o indivíduo, mas sem isenção de tributos.

Quem se beneficia com esse alarde insano armamentista em rede nacional são os bandidos, porque pessoas de bem cumprem as leis, trabalham e não cometem crimes” portanto não tem se quer tempo para portar uma arma e saber manejar, pois é uma competência do Estado.

Adelar Arrosi diz que tudo o que compete ao oficio de prefeito ele tem feito, como conseguir viatura nova em 2018, comprar e doar celulares à polícia para facilitar a comunicação dela com a comunidade e melhorar as condições da estrutura física que atende a corporação.

“Tenho feito até mais do que deveria. Mas, infelizmente, muitas coisas ligadas à segurança pública estão além da autoridade do prefeito. As medidas dependem do Estado, do Comando geral das polícias, da Justiça e da decisão dos governos estadual e federal”.

A expectativa, segundo o prefeito de Ibema, é que as instituições e os homens que as comandam percebam seus erros e a gravidade da situação e ajam em defesa da lei, da ordem e da segurança de quem trabalha, empreende e faz a economia crescer. “Se isso não ocorrer, a situação tende a sair do controle logo”, alerta Adelar Arrosi, que é prefeito de Ibema pelo terceiro mandato.